quarta-feira, 10 de junho de 2026

Conheça as regras para fazer pesquisas eleitorais e saiba como o MP Eleitoral fiscaliza


Novidades trazidas pela resolução deste ano buscam garantir maior controle sobre o financiamento dos estudos e evitar distorções no resultado

Fundo verde com os textos Ministério Público nas Eleições 2026, Por dentro das regras, Pesquisas. Ao lado, mãos apontam gráficos em papel
Arte: Comunicação/MPF


As pesquisas de intenção de voto são parte importante do processo eleitoral. Os levantamentos sobre a opinião pública servem para orientar as estratégias de campanhas e candidatos. Além disso, quando divulgados, os resultados podem influenciar a escolha dos eleitores, indicar os temas prioritários a serem debatidos e indicar a viabilidade de determinadas candidaturas. 

Os números comprovam o amplo uso e a relevância desse instrumento. Segundo dados do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), as Eleições de 2024 bateram recorde de pesquisas eleitorais e valores investidos nessa área. Foram realizadas 14 mil pesquisas e gastos quase R$ 172 milhões com os levantamentos sobre intenção de voto para os cargos de prefeitos e vereadores. Os contratantes são principalmente veículos de comunicação, partidos políticos e empresas de publicidade.

No caso das Eleições Gerais de 2026, embora a votação seja apenas em outubro, as pesquisas já estão em andamento. O sistema do TSE já registrou, até maio, mais de 700 sondagens, para os cargos de presidente, governadores, senadores e deputados. O investimento foi de R$ 40 milhões.

Considerando a importância desses levantamentos e o impacto nas eleições, há uma série de regras que devem ser respeitadas na realização das pesquisas eleitorais. As normas estão previstas na Resolução TSE n° 23.600/2019, que foi atualizada em fevereiro deste ano pela Resolução n° 23.747/2026. Cabe ao Ministério Público fiscalizar o cumprimento dessas regras, para evitar abusos. 

Entre as novidades deste ano, passou a ser obrigatório apresentar uma declaração formal do estatístico responsável pela pesquisa, que deve atestar seu vínculo com a empresa ou a instituição que realizou o levantamento. O profissional deve assegurar que os dados e a metodologia sejam disponibilizados para auditoria, além de declarar estar ciente das sanções previstas na legislação em caso de fraude, informações falsas ou irregularidade. A norma também reforça exigências sobre a delimitação geográfica das pesquisas, ampliando a transparência metodológica. 

📊  Pesquisas eleitorais

Pesquisas eleitorais são o questionamento feito ao eleitor, em determinado momento, a respeito de candidatos que podem disputar ou já concorrem em uma eleição. Esse levantamento de intenção de voto é utilizado por institutos ou entidades para verificar a preferência do eleitor em relação aos candidatos ao pleito. Como toda pesquisa de opinião pública, a pesquisa eleitoral utiliza método científico para apurar a realidade do momento junto a segmentos representativos do eleitorado, chamados de amostra, seguindo metodologia específica.

As pesquisas eleitorais podem ser feitas a qualquer tempo no ano da eleição, desde que sejam cadastrados no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) do TSE em

até cinco dias antes da divulgação dos resultados. Ao fazer esse cadastro, é preciso informar

os dados completos do contratante e a origem dos recursos gastos.

Essas informações também são exigidas quando a pesquisa é financiada diretamente pelos próprios institutos. Nesses casos, devem informar os próprios dados, o valor total e a origem recursos usados, além de apresentar o relatório contábil das movimentações financeiras realizadas no ano anterior ao da realização das eleições.

O registro de pesquisas eleitorais, contudo, não torna obrigatória a divulgação de seus resultados. Um instituto ou empresa pode realizar o levantamento, mas não necessariamente divulgá-lo ao público. A norma deixa claro que a Justiça Eleitoral não realiza qualquer controle prévio sobre o resultado das pesquisas, nem gerencia ou cuida da divulgação.

Caso algum desses prazos ou regras sejam descumpridas, a pesquisa será considerada não registrada e, portanto, irregular.

💰 Mais controle sobre o financiamento

Uma das mudanças trazidas pela resolução deste ano é o maior rigor na identificação de quem financia a pesquisa. Agora, as novas regras exigem saber especificamente o “nome da pessoa responsável” pelo pagamento e os dados pessoais. A alteração busca dar mais precisão e facilitar a identificação do responsável direto pelos recursos, especialmente em casosde contratos mais complexos.

Outra mudança é que a empresa ou entidade responsável deve informar, no momento de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral, como será a forma de pagamento: se parcelada ou em em pagamento único após realização do serviço. Além disso, as notas fiscais devem ser apresentadas conforme os pagamentos forem sendo realizados. 

📍Delimitação geográfica da pesquisa

As novas regras também passaram a exigir que a delimitação geográfica das pesquisas siga a divisão político-administrativa oficial do município e dos estados. 

Além disso, é preciso informar qual recorte territorial foi usado de fato na pesquisa, como bairros, regiões ou cidades, e detalhar quais métodos foram adotados para garantir o controle e o equilíbrio dos dados, como ajustes estatísticos para representar corretamente a população.

Se a forma de coleta da pesquisa não permitir identificar os dados por setor censitário - divisão geográfica usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) -, a entidade ou empresa responsável pelo levantamento terá que explicar o motivo. Essa justificativa deve ser técnica e bem fundamentada.  O objetivo é evitar distorções na representação territorial dos dados utilizados na pesquisa

A norma também deixou mais claro que, se alguém solicitar, a empresa que fez a pesquisa é obrigada a entregar os dados em até dois dias. Além disso, deve permitir que essa pessoa vá até a empresa para verificar de forma aleatória os materiais da pesquisa, como planilhas e relatórios, durante o horário comercial. 

💬  Enquetes

A resolução também fixa explicitamente, em 15 de agosto, a data limite para a realização de enquetes relacionadas ao processo eleitoral. Diferentes das pesquisas eleitorais, as enquetes ou sondagens são levantamentos realizados com a participação espontânea dos eleitores, sem definição de amostra específica e sem uso de método científico. 

Elas só podem ser realizadas antes do início das propagandas eleitorais. Caso a enquete seja apresentada à população como pesquisa eleitoral, os responsáveis podem ser punidos com as mesmas sanções previstas para a divulgação de pesquisas de opinião pública sem registro no TSE.

🚨 Fiscalização e punições 

Caso o MP Eleitoral, partido político, federação, coligação ou candidato constate indícios de irregularidade e perigo de dano, pode entrar com ação na Justiça pedindo liminar para suspender a divulgação dos resultados de uma pesquisa ou, ainda, determinar que sejam incluídos esclarecimentos na divulgação dos resultados, com aplicação de multa em caso de descumprimento da determinação. Ainda que não seja autor da ação, o Ministério Público apresenta manifestação em todos os processos que tramitam na Justiça Eleitoral em relação a pesquisas eleitorais.

Quem divulga os resultados de pesquisa fraudulenta está sujeito a uma série de sanções. A prática é considerada crime eleitoral e pode resultar em penas de prisão de seis meses a um ano, além de multa em valores que vão de R$ 53 mil a R$ 106 mil. A divulgação dos resultados de uma pesquisa sem prévio cadastro no TSE também sujeita os responsáveis à multa, nos mesmos valores.

🔎 Consulta pública

Por meio do site do TSE, qualquer cidadão pode consultar as pesquisas registradas. Além de contribuir para tornar o processo eleitoral mais transparente, a medida evita ainda que eleitores sejam vítimas de desinformação, conhecidas como fake news, já que podem conferir a veracidade do que é divulgado, por exemplo, nas redes sociais.

Eventuais indícios de irregularidade podem ser denunciados ao MP Eleitoral pelo MPF Serviços.

Confira a íntegra da Resolução nº 23.600/2019

🗳️ Por dentro das regras

Até outubro, o Ministério Público Federal (MPF) vai publicar matérias para ajudar o público a entender o trabalho da instituição na fiscalização do processo eleitoral. A série Por Dentro das Regras explica quais são as regras presentes nas leis e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral que devem ser seguida pelos candidatos, partidos e eleitores. Já a série Me Explica, MPF! traduz os conceitos mais usados no meio jurídico relacionados à disputa eleitoral.

O MP Eleitoral é composto por integrantes do MPF e dos Ministérios Públicos Estaduais. Eles são responsáveis por fiscalizar o cumprimento das normas relacionadas às eleições, com o objetivo de evitar abusos, assegurar o equilíbrio da disputa e a livre escolha do eleitor.



Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação

segunda-feira, 8 de junho de 2026

EDUCAÇÃO PREMIADA


Inscrições para a 28ª edição do Prêmio Educador Nota 10 terminam nesta sexta-feira (12)

Instituto Somos e Ministério da Cultura apresentam a principal honraria da educação básica do Brasil. A Premiação valoriza professores e gestores de escolas públicas e privadas de todo o País, que contribuem para avanços na educação. Projetos podem ser inscritos até 12 de junho

Por Lilian Guedes (SEDUC)
08/06/2026 16h49
Foto: Alex Ribeiro / Ag. Pará

Ainda dá tempo de se inscrever na 28ª edição do Prêmio Educador Nota 10, a maior e mais importante honraria de reconhecimento da educação básica no Brasil. O prazo para as inscrições termina nesta sexta-feira (12). Realizado pelo Instituto Somos, o Ministério da Cultura e o governo federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet, a premiação reconhece o protagonismo de profissionais de escolas públicas e privadas que contribuem para a transformação da educação. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site oficial da premiação.

Neste ano, o Prêmio Educador Nota 10 conta com uma novidade. Com a criação da categoria Gestor Escolar, passa a valorizar os diretores e vice-diretores dentro das escolas, destacando o papel estratégico que eles possuem na construção de ambientes de aprendizagem mais eficazes, inclusivos e inovadores.  

Em quase três décadas de história, o prêmio se firmou como um espaço de destaque para iniciativas educacionais transformadoras. “Já ultrapassamos 90 mil ações inscritas e 288 educadores reconhecidos, com mais de R$ 3 milhões distribuídos em premiações. Agora, a iniciativa amplia seu alcance ao valorizar também a atuação fundamental dos gestores. Buscamos reconhecer também quem torna possível o avanço consistente da educação por meio da articulação de equipes e estratégias. Afinal, resultados sólidos nas escolas são reflexo direto de uma liderança comprometida com a aprendizagem”, afirma Guilherme Mélega, presidente do Instituto Somos.  

A edição deste ano conta com o patrocínio da Cogna e de suas marcas educacionais. O prêmio também reúne o apoio institucional de organizações de referência no campo da educação e da cultura, como o Centro Lemann de Liderança pela Equidade na Educação, a Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a Nova Escola, o Ensina Brasil e o Instituto Rodrigo Mendes. A iniciativa conta ainda com a promoção do Instituto Bandeirantes e do Grupo Bandeirantes de Comunicação, além de auditoria realizada pela BDO Brasil. Desde 2018, é a única premiação brasileira associada ao Global Teacher Prize, iniciativa global da Varkey Foundation voltada ao reconhecimento de educadores. 

Novidade: Categoria Gestores Escolares 
Para participar, diretores e vice-diretores devem inscrever projetos realizados em 2025, na temática Gestão da Aprendizagem, que evidenciem sua liderança pedagógica na organização e na melhoria da aprendizagem. Serão premiados os três melhores projetos e o indicado a primeiro lugar, será eleito o Gestor do Ano. Os participantes deverão apresentar iniciativas que demonstrem impacto concreto, a partir de ações como: planejamento e organização do trabalho pedagógico; formação continuada dos profissionais da educação; avaliação e monitoramento da aprendizagem; articulação com a comunidade e redes de apoio e inclusão e equidade.  

Professores e coordenadores 
Além da novidade anunciada, o Prêmio segue reconhecendo os professores e os coordenadores com projetos pedagógicos alinhados aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas.  Serão premiados os três melhores projetos em cada um dos três eixos temáticos: Direitos Humanos, Inovação e Tecnologia e Sustentabilidade. Entre os três primeiros colocados de cada eixo, será eleito o Educador do Ano.  

Participação e prêmios 
Poderão ser inscritos projetos desenvolvidos em 2025 por professores, coordenadores e diretores escolares ou pedagógicos, de escolas da Educação Infantil ao Ensino Médio, inclusive Educação de Jovens e Adultos (EJA). A seleção acontecerá em etapas, com triagem inicial, avaliação de um Comitê Técnico Pedagógico e da Banca de Jurados, que definirá os vencedores. 

Edição do prêmio no ano passado
Edição do prêmio no ano passado
Foto: Divulgação: Prêmio Educador Nota 10, edição de 2025

Os finalistas serão reconhecidos em cerimônia de premiação, a ser realizada em São Paulo (SP). Na ocasião, também serão anunciadas as colocações dos finalistas, além dos grandes vencedores: o Educador e o Gestor do Ano. Estes receberão uma doação para a escola envolvida no projeto no valor de R$ 25 mil (que pode ou não ser atribuído em produtos e/ou serviços), além dos prêmios de sua categoria. 

Os primeiros, segundos e terceiros colocados em cada categoria receberão, respectivamente, a premiação em dinheiro nos valores de R$ 25 mil, R$ 20 mil e R$ 15 mil. Os vencedores também serão contemplados com bolsa de pós-graduação no Singularidades, acesso à PROFS – plataforma online de formação continuada para educadores – e à Redação Nota 1000 – solução digital de correção de redações para implementação em suas escolas.  

Serviço - Prêmio Educador Nota 10 - 28ª edição   

Projeto realizado pelo Instituto Somos, Ministério da Cultura e Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet.

Edital: https://www.institutosomos.org/premio-educador-nota-10/
Período de inscrições de projetos: de 24 de março de 2026 a 12 de junho de 2026  
Avaliação e seleção dos projetos: até 20 de agosto de 2026  

Divulgação dos finalistas: a definir  
Informações e inscrições em: https://premioeducadornota10.org  

Sobre o Prêmio Educador Nota 10 - Organizado pelo Instituto Somos, organização sem fins lucrativos mantida pela Somos Educação, o Ministério da Cultura e o governo federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet, o Prêmio reconhece e valoriza professores da Educação Infantil ao Ensino Médio e EJA, coordenadores pedagógicos e gestores de escolas públicas e privadas de todo o país. Ao longo de mais de 27 anos de história, foram recebidos mais de 90 mil projetos e premiados 288 educadores, entre professores e gestores escolares, que receberam mais de R$ 3 milhões em prêmios no total.  O Prêmio Educador Nota 10 foi criado em 1998 pela Fundação Victor Civita, sendo realizado pelo Instituto Somos desde 2023.  

Texto: Prêmio Educador Nota 10

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Vereador de Ourilândia do Norte morre após atirar contra ex-esposa durante audiência


O vereador de Ourilândia do Norte, Romildo Veloso e Silva (PP), ex-prefeito do município, morreu na tarde desta quarta-feira (3) após atirar contra a ex-esposa, Ilcicleia Alves Veloso, e em seguida contra si próprio.


A cidade de Ourilândia do Norte, no sul do Pará, entardeceu mergulhada em um clima de profunda tristeza e consternação após uma tragédia registrada na tarde desta quarta-feira (3), envolvendo o vereador e ex-prefeito Romildo Veloso e sua ex-esposa, Ilicicleia Alves Veloso.
De acordo com informações preliminares, o caso ocorreu durante uma reunião realizada em um escritório de advocacia do município, onde seriam discutidas questões relacionadas ao processo de divórcio do casal.
Durante o encontro, Romildo Veloso teria efetuado disparos de arma de fogo contra a ex-companheira e, em seguida, atentado contra a própria vida.
Ilicicleia Alves Veloso foi socorrida com urgência e encaminhada ao hospital da cidade, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu pouco tempo após dar entrada na unidade de saúde. Já Romildo Veloso, morreu ainda no local onde ocorreu a tragédia.
As circunstâncias e motivações que levaram ao episódio ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil. Informações extra-oficiais apontam que o ex-prefeito não teria aceitado o fim do relacionamento, mas essa hipótese somente poderá ser confirmada após a conclusão das investigações.
Equipes da Polícia Civil estiveram no local realizando os primeiros levantamentos e ouvindo testemunhas. Um inquérito policial foi instaurado para esclarecer todos os detalhes do caso.
Cidade em choque
A tragédia causou forte comoção entre moradores de Ourilândia do Norte e de diversos municípios da região sul do Pará. Tanto Romildo Veloso quanto Léia Alves eram pessoas bastante conhecidas na comunidade e mantinham amplo círculo de amizades.
Ao longo do dia, mensagens de pesar e solidariedade tomaram conta das redes sociais. Amigos, familiares e lideranças políticas lamentaram o ocorrido, descrevendo o episódio como uma das maiores tragédias da história recente do município.
Além da dor causada pelas duas mortes, a situação ganhou contornos ainda mais dramáticos pelo fato de o casal deixar dois filhos adolescentes, de 14 e 15 anos, que agora enfrentam a difícil realidade da perda de ambos os pais.
(Dinho Santos).

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Eleições 2026: MP Eleitoral lança roteiro para identificar indícios de fraude nas cotas para mulheres, negros e indígenas


Material busca reforçar fiscalização sobre recursos de campanha e ampliar representatividade política

Foto de costas de uma mulher negra falando ao público, com grafismos em verde, amarelo e azul cortando a cena.
Arte: Comunicação/MPF

Com o objetivo de garantir a aplicação dos recursos públicos destinados às candidaturas de mulheres, negros e indígenas nas Eleições 2026, o Ministério Público Eleitoral produziu um roteiro com orientações a procuradores e promotores eleitorais. Elaborado pelo Grupo de Trabalho (GT) de Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero, o material apresenta 19 situações de alerta que podem identificar, de forma imediata, irregularidades no uso de verbas destinadas às cotas de gênero, raça e etnia. O guia foi encaminhado aos procuradores regionais eleitorais de todo o país na última sexta-feira (29).

A coordenadora do GT, procuradora regional da República Raquel Branquinho, explica que a iniciativa busca facilitar a atuação dos membros do MP Eleitoral na fiscalização do cumprimento das regras sobre cotas eleitorais. “Nas eleições, o tempo é curto, as demandas são muitas e a necessidade de rapidez na atuação daqueles que trabalham para garantir a lisura do pleito requer uma estrutura adequada de apoio”, destacou.

Segundo Branquinho, as orientações tornam mais prática a identificação de situações que aparentam cumprir formalmente a legislação eleitoral, mas que podem ocultar irregularidades. “Para cada situação, o roteiro indica o que pode acontecer, por que isso preocupa e quais verificações devem ser feitas”, pontuou.

Cotas de gênero, raça e etnia – No Brasil, os partidos políticos são obrigados a reservar pelo menos 30% das candidaturas para mulheres, além de destinar a elas o mesmo percentual mínimo dos recursos públicos de campanha e do tempo de propaganda eleitoral. Os recursos e o tempo de propaganda também devem ser distribuídos de forma proporcional entre candidatos negros (no piso de 30%) e indígenas (proporcional a quantidade de candidatos), nesse último caso, a partir do pleito deste ano. Apesar dessas regras, nem sempre a destinação dos recursos é feita de forma adequada.

Um dos exemplos apontados no roteiro ocorre quando o partido registra candidaturas de mulheres, negros ou indígenas, mas repassa recursos em valor inferior ao exigido pela legislação eleitoral. Nesses casos, embora a cota seja formalmente cumprida, não ocorre a efetiva inclusão política desses grupos. O documento também alerta para repasses feitos às vésperas da eleição, candidaturas sem atividade efetiva de campanha e o uso indevido de verbas destinadas às cotas para beneficiar terceiros ou estruturas partidárias.

O material traz ainda orientações específicas para candidaturas indígenas, considerando as particularidades étnicas, culturais e territoriais dos povos originários. Entre os pontos de atenção estão a verificação do vínculo do candidato com a comunidade indígena, a adequação do financiamento às realidades locais e a prevenção de situações em que candidaturas possam ser estimuladas por interesses externos.

Nesse contexto, Branquinho destaca que o sistema de cotas foi criado para enfrentar desigualdades históricas e ampliar a participação de grupos sub-representados nos espaços de poder, além de assegurar o uso correto dos recursos públicos. “Cumprir e respeitar o sistema de cotas significa fortalecer a democracia e ampliar a eleição desses grupos, observando a pluralidade da nossa sociedade”, concluiu a coordenadora.

Roteiro de Situações de Alerta


Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação

segunda-feira, 1 de junho de 2026

CÍRIO 2026


Governo do Pará oficializa apoio à edição do Círio de 2026

Tradicional suporte do Estado às procissões foi oficializado pela governadora Hana Ghassan em cerimônia celebrada por Dom Julio Akamine, Arcebispo Metropolitano de Belém, na Basílica. Cartaz do Círio também foi apresentado.

Por Lorena Saraiva (SECULT)
31/05/2026 22h18
Foto: Bruno Cruz / Ag. Pará

A governadora Hana Ghassan anunciou no domingo (30) o tradicional apoio do governo do Estado à realização da nova edição do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em 2026. A parceria, que inclui o repasse de R$ 2 milhões para a programação deste ano, foi oficializada após a celebração de missa presidida por Dom Julio Akamine, Arcebispo Metropolitano de Belém, na Basílica Santuário de Nazaré. 

Durante a cerimônia, acompanhada por milhares de fieis, que compareceram à Basílica e também lotaram a Praça Santuário, a largada da agenda oficial do Círio de 2026 foi marcada por uma Santa Missa, seguida pela coroação de Nossa Senhora de Nazaré, pela subida da Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré ao Glória, e pela apresentação do novo cartaz oficial do Círio deste ano.

“É importante dizer que o Círio de Nazaré é um momento muito esperado por todos nós, paraenses, que temos a fé no nosso coração. Eu fico muito feliz e muito honrada de fazer parte deste momento. Que Nossa Senhora possa abençoar cada lar, cada família, para que a gente possa cada vez mais ter tranquilidade, ter paz no nosso Estado”, destacou a governadora Hana Ghassan.

Foto: Marco Santos / Ag. Pará

A governadora também comentou a importância do momento da apresentação do novo Cartaz do Círio aos paraenses. 

“É um momento muito esperado. Nós vamos sair daqui com o cartaz, para que a gente possa colocar em cada lar. Que Nossa Senhora fortaleça a cada dia mais a nossa fé, e que a gente possa viver o Círio verdadeiramente, todos os dias na nossa vida”, ressaltou Hana Ghassan.

O apoio do governo do Pará ao Círio de Nazaré é viabilizado por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), e reforça o compromisso de incentivo à cultura do Pará. Além da governadora Hana Ghassan e do Arcebispo Metropolitano, Dom Julio Endi Akamine, também acompanharam a formalização do apoio do governo do Pará ao Círio 2026 o Arcebispo Emérito, Dom Alberto Taveira Corrêa, o Bispo Auxiliar, Dom Paulo Andreolli, e o titular da Secretaria de Estado de Cultura, Bruno Chagas.

Devotos lotaram a cerimônia

Foto: Marcelo Lelis / Ag. Pará

A dentista Elyne Xerfan foi à Basílica Santuário agradecer pela vida da sua filha Júlia, uma graça alcançada que fortalece sua fé em Nossa Senhora de Nazaré. “Em maio do ano passado eu descobri que estava grávida, e há muito tempo eu pedia essa graça. E Nossa Senhora nos ouviu”, emocionou-se a mãe, que também aproveitou para conferir o cartaz do Círio deste ano.

Para ela, o apoio do Governo do Estado ao Círio de Nazaré é fundamental. “É muito importante a participação do governo, porque o Círio é uma festa nacional. Não é só do Pará, é do Brasil. Então, nada mais justo do que o governo apoiar este evento de fé”.

Cartaz do Círio 2026 

Foto: João Caio / Ag. Pará

Ao final da missa, marcada pela a coroação de Nossa Senhora de Nazaré e pelo retorno da Imagem Original ao Glória, os devotos que acompanharam a cerimônia lotaram a Praça Santuário, para conhecerem o cartaz oficial do Círio 2026.

“O cartaz já é um símbolo de que o Círio está chegando perto, e a gente coloca na entrada da nossa casa simbolizando  nosso catolicismo. Essa já é a contagem regressiva para o Círio deste ano”, animou-se a dentista Elyne.

O cartaz oficial do Círio de Nazaré é um dos símbolos mais aguardados pelos devotos. Este ano, a fotografia oficial da imagem de Nossa Senhora foi produzida pela fotógrafa Nathalia de Lima Fonseca.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

INICIATIVA


Sespa oferece tratamento a quem deseja parar de fumar

O tratamento é disponibilizado pelo Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (Cratf), que funciona na avenida Presidente Vargas, em Belém

Por Mozart Lira (SESPA)
29/05/2026 16h20
Momento de atendimento individual no Centro
Momento de atendimento individual no Centro
Foto: José Pantoja (Ascom/Sespa)

Em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) reforça uma série de recomendações à população sobre as doenças associadas ao tabagismo com orientações práticas para aqueles que desejam abandonar o hábito de fumar. 

Por isso, a Sespa disponibiliza tratamento à população fumante, por meio do Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (Cratf), mantido pela Sespa no térreo da Unidade de Referência Especializada (URE), na Avenida Presidente Vargas com travessa Osvaldo Cruz, centro de Belém. Em 22 anos de atividade, o Centro já atendeu mais 6.425 até abril deste ano e registra a média de 30 pacientes que procuram atendimento mensalmente. 

No Cratf, o tratamento inicia com os exames que vão identificar a história tabagística do paciente e prossegue com sua admissão em um grupo com outros fumantes para o início do tratamento, que consiste na abordagem cognitiva comportamental.  

O grupo de manutenção, que acompanha os pacientes inicialmente a cada 15 dias
O grupo de manutenção, que acompanha os pacientes inicialmente a cada 15 dias
Foto: José Pantoja (Ascom/Sespa)

“Em seguida, passam por uma avaliação clínica, na qual verificamos o histórico de saúde e eventuais comorbidades, como alcoolismo ou transtornos psiquiátricos. Depois disso, avaliamos se o paciente tem perfil para o grupo ou para atendimento individual, mas a base do nosso trabalho é o grupo terapêutico”, explica a psicóloga Adriane Robert.

O método adotado é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), realizada em quatro encontros semanais, que funcionam como espaço terapêutico e de orientação. Os temas abordados incluem estratégias de controle da compulsão, redução do consumo e diferentes formas de cessação do cigarro, seja de maneira brusca ou gradual.

Após essa etapa, quem consegue parar de fumar é direcionado para o grupo de manutenção, que acompanha os pacientes de forma contínua, inicialmente a cada 15 dias e, posteriormente, com intervalos mensais, semestrais e anuais. “Não existe alta para o tabagismo. Ele é uma doença, uma dependência, e o monitoramento deve ser feito por toda a vida”, destacou a psicóloga.

Alexandre Santos, de 47 anos, fuma desde os 13 e está há 50 dias sem fumar
Alexandre Santos, de 47 anos, fuma desde os 13 e está há 50 dias sem fumar
Foto: José Pantoja (Ascom/Sespa)

Alexandre Santos, de 47 anos, fuma desde os 13 está há 50 dias sem fumar. Iniciou o tratamento no Cratf este ano e está confiante na mudança do estilo de vida. “O suporte que aqui me dão é fabuloso. Frequento as reuniões e tenho convicção de que fumar será uma página virada na minha vida”, disse.  

O mesmo pensa a paciente Fátima Cabral, de 56 anos, que está há 53 dias sem fumar. “Comecei os 18, mas o ato de fumar foi intensificado a partir dos 24 anos. Estou confiante porque acredito no tratamento e na força do que é dito nas reuniões daqui”, relata. 

A paciente Fátima Cabral, de 56 anos, que está há 53 dias sem fumar
A paciente Fátima Cabral, de 56 anos, que está há 53 dias sem fumar
Foto: José Pantoja (Ascom/Sespa)

A coordenadora do Centro, Fátima Amine, explica que a prescrição medicamentosa é complementar, sendo indicado para minimizar os sintomas da síndrome de abstinência. Portanto, torna-se necessário avaliação individual da necessidade ou não do uso de medicamentos, em função dos diversos tipos e graus de dependência.

Fátima também destaca que, nas últimas duas décadas, a percepção sobre o cigarro mudou em função das campanhas terem conseguido restringir a publicidade em torno da glamourização do fumo. Por outro lado, outros desafios vieram com o advento de outros dispositivos para fumar, como os cigarros eletrônicos e vapes. 

“Os esforços atuais se concentram não apenas em prevenir novos casos, mas também em oferecer suporte àqueles que lutam contra a dependência”, acrescenta a nutricionista Débora Santa Brígida, da Divisão Técnica do 1º Centro Regional de Saúde (CRS) da Sespa), que junto com Adriane Robert comanda as reuniões com os pacientes atendidos no local.

A coordenadora do Centro, Fátima Amine
A coordenadora do Centro, Fátima Amine
Foto: José Pantoja (Ascom/Sespa)

De acordo com a referência técnica do Programa Nacional do Controle do Tabagismo - PNCT, o tabagismo é considerado doença desde a última revisão  do CID 10 e integra o grupo de transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa e está associado às doenças crônicas não transmissíveis, como um fator de risco para o desenvolvimento de outras doenças principalmente doenças cardiovasculares, neoplasias, respiratórias crônicas, tuberculose, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose entre diversas outras.

Dicas para abandonar o tabaco

* Busque por apoio profissional, orientação médica e ingresse em programas de cessação do tabagismo, que oferecem suporte especializado e estratégias eficazes para deixar o cigarro

* Identifique e evite gatilhos, e reconheça os momentos, atividades ou emoções que costumam desencadear o desejo de fumar e encontre alternativas para lidar com essas situações.

* Mantenha-se ativo. A prática regular de exercícios físicos ajuda a reduzir a vontade de fumar, mas também entra como uma alternativa de prazer, melhora o humor e promove o bem-estar geral.

* Adote uma alimentação saudável, priorize alimentos ricos em nutrientes, de baixa calorias, evitando o consumo de alimentos ultra processados e ricos em açúcares e gorduras saturadas.

* Encontre suporte social, compartilhe sua jornada com amigos, familiares ou grupos de apoio, encontrando conforto e motivação na companhia de pessoas que compreendem seus desafios.

Serviço:

Para ter acesso ao Craft, basta procurar o centro ao lado da URE da Presidente Vargas, em Belém. Avenida Presidente Vargas, n.º 513, entre Aristides Lobo e Osvaldo Cruz. Atendimento de segunda à sexta, das 7 às 17 horas. Contatos: 3110-6251/ 97400-1885.