terça-feira, 3 de março de 2026

MPF pede à Justiça paralisação de trecho duplicado da Ferrovia Carajás na TI Mãe Maria (PA) por operação ilegal


Ação aponta funcionamento de linha férrea sem licença ambiental e sem consulta prévia aos povos indígenas

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O Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça, na última sexta-feira (27), com uma ação em que pede decisão urgente contra a mineradora Vale e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para que seja imediatamente interrompido o funcionamento ilegal da segunda linha férrea da Estrada de Ferro Carajás (EFC), no trecho que corta a Terra Indígena (TI) Mãe Maria, no sudeste do Pará.

Segundo as investigações do MPF, a Vale está operando a via duplicada sem a respectiva Licença de Operação (LO) expedida pelo Ibama e sem ter realizado a Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI), direito garantido aos povos indígenas afetados. Além da paralisação, o MPF requer a condenação da mineradora ao pagamento de indenização por danos morais coletivos.

A TI Mãe Maria, localizada no município de Bom Jesus do Tocantins (PA), é habitada por cerca de 1,2 mil indígenas dos povos Gavião Parkatêjê, Kyikatêjê e Akrãtikatêjê. A linha férrea atravessa o território por uma extensão de aproximadamente 18 quilômetros.

Impactos ambientais e ausência de licença – Na ação, a procuradora da República Gabriela Puggi Aguiar destaca que a Vale solicitou ao Ibama a incorporação dos novos trechos duplicados à Licença de Operação já existente para a ferrovia original. No entanto, o próprio órgão ambiental, por meio de parecer técnico emitido em novembro do ano passado, concluiu que havia impedimentos para a concessão da licença devido a pendências no cumprimento de condicionantes ambientais.

O parecer do Ibama atestou a ocorrência de graves impactos socioambientais na região, incluindo a degradação de recursos hídricos, poluição sonora e a contaminação da água por metais pesados, com a detecção de bioacumulação de mercúrio em cursos d'água e peixes. O laudo também apontou a necessidade de destinação adequada de resíduos das obras, como dormentes, trilhos e concreto na faixa de domínio da ferrovia.

Além disso, o MPF aponta a falta de transparência e de registros de reclamações dos indígenas no Plano Básico Ambiental (PBA), bem como a ausência de manifestação favorável da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre o componente indígena do projeto, gerando insegurança alimentar e hídrica para as comunidades.

Operação clandestina comprovada – Apesar da negativa técnica para a licença de operação da linha duplicada, lideranças do povo Gavião procuraram o MPF em dezembro de 2025 para denunciar que a empresa já estava utilizando os dois trilhos de forma simultânea.

A denúncia foi instruída com registros fotográficos e em vídeo, datados de fevereiro deste ano, que comprovam o tráfego de grandes composições carregadas de minério de ferro na nova linha. Para o MPF, a documentação torna "inequívoco que a operação da linha de expansão da ferrovia não possui, atualmente, a devida autorização para funcionamento".

Omissão do Ibama – O Ibama foi incluído como réu na ação civil pública por ser o órgão responsável pelo licenciamento e pela fiscalização ambiental do empreendimento, de competência federal. A procuradora da República argumenta que, diante do funcionamento irregular constatado, caberia à autarquia adotar medidas inibitórias, como autuações, embargos e interdições, o que não ocorreu efetivamente.

Na ação, o MPF pede que a Justiça determine ao Ibama a adoção imediata de medidas de fiscalização e a aplicação das sanções cabíveis contra a mineradora pelo funcionamento da obra sem a licença de operação.

Pedidos e indenização – Em caráter urgente, o MPF solicita à Justiça Federal que determine à Vale a paralisação imediata de qualquer atividade de operação na linha férrea duplicada dentro da TI Mãe Maria, deixando de utilizá-la até que a licença de operação seja regularmente expedida.

O MPF também requer a inversão do ônus da prova, exigindo que a Vale forneça imediatamente as imagens de suas próprias câmeras de segurança instaladas na ferrovia, a partir de dezembro de 2025, para comprovar há quanto tempo a operação ilegal vem ocorrendo e calcular o lucro indevido obtido no período.

No julgamento definitivo da ação, o MPF pede a condenação da Vale ao pagamento de indenização pelos danos morais coletivos causados aos povos indígenas. O MPF sugere que o valor da indenização seja fixado no montante equivalente ao dobro do lucro médio obtido pela empresa com a operação da linha duplicada durante o período sem licença.

Parte dos recursos da indenização deverão ser reservados para o financiamento de projetos sociais, ambientais e culturais voltados às próprias comunidades indígenas impactadas, conforme as demandas de suas instituições representativas e sob a supervisão do MPF e do Poder Judiciário. O MPF pede, ainda, a estipulação de multa diária em caso de descumprimento das determinações judiciais.

Ação Civil Pública nº 1002357-91.2026.4.01.390

Ministério Público Federal no Pará

Assessoria de Comunicação

segunda-feira, 2 de março de 2026

SEGURANÇA AMBIENTAL


Semas e Corpo de Bombeiros fortalecem parceria em agenda de proteção ambiental

Reunião estratégica definiu doação de equipamentos e ampliação da atuação integrada entre os órgãos; na ocasião, o titular da Semas foi condecorado com a Medalha da Defesa Civil

Por Jamille Leão (SEMAS)
Foto: Ascom Semas

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) realizou, na última semana, uma reunião de alinhamento com o Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA), com o objetivo de fortalecer a cooperação institucional voltada à proteção ambiental e à segurança da população paraense.

O encontro integra um processo contínuo de parceria entre entes estaduais para ampliar a atuação conjunta em diferentes frentes. Entre os encaminhamentos discutidos estão a doação de equipamentos para reforçar a estrutura do CBMPA e o fortalecimento da atuação integrada em todo o estado.

Durante a agenda, o titular da Semas, Raul Protázio Romão, foi reconhecido com a Medalha da Ordem do Mérito Defesa Civil, honraria concedida a civis, militares e organizações que prestam relevantes serviços ao Corpo de Bombeiros Militar do Pará e contribuem para o fortalecimento da instituição.

Foto: Ascom Semas

Para o secretário, a integração entre os órgãos é fundamental para ampliar resultados. “A proteção ambiental e a defesa da população caminham juntas. Fortalecer a parceria entre a Semas e o Corpo de Bombeiros significa unir esforços, inteligência e estrutura para prevenir, responder com mais eficiência às ocorrências e garantir mais segurança para o nosso Estado”, destacou.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

OPERAÇÃO KARMA FASE II


Polícia Civil prende integrantes de facção criminosa envolvidos em cárcere privado em Barcarena

Na segunda fase da Operação Karma II, foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão em Belém, Ananindeua e Barcarena

Por Wander Lima (PC)

Foto: Divulgação PCPA

Na manhã desta terça-feira (24), a Polícia Civil do Pará deflagrou a segunda fase da “Operação Karma", para o cumprimento simultâneo de dez mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão nas cidades de Belém, Ananindeua e no distrito de Vila dos Cabanos, em Barcarena. A ação policial visou a desarticulação de um grupo criminoso responsável por um crime ocorrido em 16 de outubro de 2025, na residência de um homem de nacionalidade indiana, localizada em Vila dos Cabanos. Os investigados são apontados como integrantes de uma facção criminosa e devem responder pelos crimes de roubo com restrição de liberdade, associação criminosa e tráfico de drogas.

Durante o crime, as vítimas foram mantidas sob restrição de liberdade e o cidadão indiano foi alvo de agressões físicas pelos criminosos, resultando em lesões corporais graves. “Na primeira fase desta operação, logo após o crime, parte da associação criminosa já havia sido capturada pela Polícia Civil. Naquela ocasião, em 26 de outubro de 2025, um homem foi preso pelo crime de receptação, o que possibilitou a recuperação de uma televisão roubada das vítimas", destacou o superintendente regional do Baixo Tocantins, delegado Mhoab Khayan. 

No desdobramento operacional desta terça-feira (24), as equipes cumpriram mandados de prisão preventiva contra três homens e uma mulher. Durante as buscas, a mulher foi flagrada com cerca de 30 porções de entorpecentes e uma balança de precisão. Além dos quatro investigados, uma prisão em flagrante por tráfico de drogas também foi realizada contra o irmão de um dos envolvidos no crime, que foram encontrados diversos papelotes de substâncias ilícitas.

Foto: Divulgação PCPA

Para a operação, foram destacados 38 agentes, divididos em dez equipes, em um total de dez viaturas. A ação contou com a participação de agentes das Delegacias de Vila dos Cabanos, Abaetetuba, Acará e Igarapé-Miri, com apoio da Coordenadoria de Operações Especiais (Core) e do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI) e Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca), Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e Delegacia de Homicídios de Abaetetuba, coordenados pela Superintendência Regional do Baixo Tocantins (4ª RISP).

Todos os presos foram apresentados à autoridade policial para os procedimentos legais cabíveis e estão à disposição da Justiça. Investigações seguem em andamento para a responsabilização de todos os envolvidos no crime. Informações que possam ajudar a polícia podem ser encaminhadas ao Disque-Denúncia (181) ou pelo WhatsApp (91) 98115-9181. O sigilo é garantido.

Foto: Divulgação PCPA

Texto: Jacqueline Costa, estagiária, sob supervisão de Wander Lima - Ascom/PC

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

FEVEREIRO ROXO


Hospital Regional de Marabá reforça conscientização sobre lúpus durante o Carnaval

Mobilização transformou informação em cuidado para pacientes e acompanhantes na unidade

Por Governo do Pará (SECOM)

Foto: Divulgação

O colorido do Carnaval ganhou novo significado nos corredores do Hospital Regional do Sudeste do Pará – Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá. Aproveitando o período festivo como ponte para a informação, a unidade promoveu, nesta sexta-feira (13), ação do Fevereiro Roxo, campanha dedicada à conscientização sobre doenças crônicas e autoimunes, como o lúpus, condição que afeta diferentes órgãos e requer acompanhamento médico permanente.
 
Voltada aos usuários que aguardavam consultas e exames, a mobilização integrou o projeto Saúde em Foco, do Serviço de Humanização, reforçando a educação em saúde como ferramenta de prevenção. Com apoio de equipe multiprofissional, a atividade percorreu corredores e unidades de internação, distribuindo materiais informativos e promovendo diálogo direto com pacientes e acompanhantes, em uma abordagem leve, acessível e baseada em evidências.

Foto: Divulgação

“Eu já tinha ouvido falar do lúpus, mas não sabia exatamente como ele se manifestava. A palestra explicou os principais sintomas e mostrou que é fundamental procurar atendimento ao perceber sinais persistentes, como dores nas articulações e manchas na pele”, relatou Maria das Dores, moradora de Marabá, na região Carajás, que aguardava consulta ortopédica na unidade.
 
Quem também acompanhou a ação foi o usuário José Carlos, também de Marabá, que destacou a importância da iniciativa. “Às vezes a gente acha que certas doenças estão longe da nossa realidade, mas quando recebe informação clara entende que o cuidado começa pela atenção aos sinais. Essa orientação faz a diferença para que a gente procure ajuda no tempo certo”, afirmou.
 
Informação que protege 

Foto: Divulgação

Reforçando as orientações apresentadas durante a mobilização, a enfermeira Marília Sampaio, que atua no Hospital Regional de Marabá, explicou que o lúpus é uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio corpo.
 
“Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, incluindo manchas na pele, dores nas articulações, fadiga intensa e alterações renais, o que torna o diagnóstico precoce essencial para evitar complicações e garantir melhor qualidade de vida aos pacientes”, destacou.
 
A profissional também orientou sobre medidas simples que podem contribuir para o controle da doença e qualidade de vida dos pacientes. “O lúpus não tem cura, mas tem controle. Com acompanhamento médico regular e adesão ao tratamento, é possível viver bem e manter a rotina com segurança. É fundamental evitar a exposição excessiva ao sol, adotar hábitos saudáveis e seguir as orientações médicas, ressaltou a enfermeira.
 

Foto: Divulgação

Para Daiane Uszynski, analista de humanização, a ação reafirma o compromisso da unidade com um cuidado que dialoga com o tempo e com as pessoas, inclusive em meio ao clima festivo do Carnaval. “Aproveitamos um período de grande visibilidade e circulação de pessoas para transformar alegria em conscientização. Quando levamos informação de forma leve e acessível, criamos pontes entre o cuidado técnico e a vivência dos usuários. Humanizar também é orientar, ouvir e acolher cada dúvida com respeito”, afirmou a profissional.

Estrutura:

Certificado com o Nível 2 de Acreditação da ONA, a unidade sob gestão do Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia (ISSAA), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), oferece atendimento 100% gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição tem 135 leitos, sendo 97 de internação clínica e 38 de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

Texto: Ascom/ Hospital Regional do Sudeste do Pará

MPF recomenda a 30 municípios do Pará que centralizem recursos do Fundeb em conta única


Medida visa garantir transparência e rastreabilidade das verbas, que devem ser exclusivamente destinadas à educação

Foto: Sumaia Villela/Agência Brasil - #ParaTodosVerem: Foto de uma sala de aula de uma escola pública com crianças sentadas em suas carteiras, vestindo uniformes brancos e azuis, enquanto uma professora explica o conteúdo escrito no quadro branco ao fundo.

O Ministério Público Federal (MPF) enviou recomendações a 30 municípios do Pará para que os recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) sejam geridos em uma única conta bancária, titularizada pelas Secretarias Municipais de Educação (Semed). O objetivo é garantir que o dinheiro seja totalmente rastreável e aplicado corretamente no ensino, conforme determina a legislação.

Os municípios que receberam as recomendações são: Floresta do Araguaia, Itupiranga, Nova Ipixuna, Pau D'Arco, Piçarra, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Sapucaia, São João do Araguaia, Tucumã, Água Azul do Norte, Canaã dos Carajás, Conceição do Araguaia, Cumaru do Norte, Curionópolis, Bannach, Abel Figueiredo, Bom Jesus do Tocantins, Brejo Grande do Araguaia, Eldorado dos Carajás, Ourilândia do Norte, Palestina do Pará, Parauapebas, Redenção, Rio Maria, Rondon do Pará, Santa Maria das Barreiras, Santana do Araguaia, São Félix do Xingu e Xinguara.

As prefeituras têm 20 dias úteis para informar se acatam a recomendação e indicar as medidas que serão adotadas. Os municípios têm, ainda, 30 dias úteis para comprovar a regularização das contas bancárias e do cadastro dos gestores responsáveis junto às instituições financeiras.

Parceria MPF e TCU – A atuação do MPF ocorre por meio da Câmara de Direitos Sociais e Fiscalização de Atos Administrativos em Geral do MPF (1CCR/MPF), com base em dados do Sistema Informatizado de Auditoria em Programas de Educação (Sinapse), uma ferramenta desenvolvida pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A análise verificou que os municípios precisam adequar a titularidade das contas bancárias para cumprir as regras de rastreabilidade do dinheiro público.

A iniciativa faz parte de um esforço conjunto entre a 1CCR/MPF e o TCU para fortalecer a fiscalização do Fundeb. Por meio do projeto Sinapse, os órgãos de controle conseguem realizar auditorias contínuas e remotas, cruzando dados para identificar falhas na aplicação dos recursos e prevenir desvios, garantindo que o investimento chegue efetivamente às escolas e aos profissionais do ensino.

De acordo com as recomendações, assinadas pelo procurador da República Onésio Soares Amaral, os gestores municipais devem assegurar que as contas bancárias do Fundeb estejam vinculadas ao CNPJ do órgão responsável pela educação, que é a Semed, e não à prefeitura ou outra pasta.

O documento ainda destaca que é proibido transferir os recursos do Fundeb para outras contas das prefeituras ou sacar os valores em espécie. A medida visa impedir que verbas destinadas à educação se misturem com o caixa comum dos municípios, o que dificultaria a fiscalização pelos órgãos de controle.

O MPF orienta que as contas devem ser mantidas no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal e que toda movimentação financeira precisa ser realizada exclusivamente por meio eletrônico, creditando os valores diretamente na conta dos fornecedores ou dos profissionais da educação.



Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Detran reforça cuidados com a segurança viária durante o Carnaval


Combate à alcoolemia, com a Operação Lei Seca, será intenso nas rodovias estaduais, principalmente nos acessos aos municípios e distritos mais procurados

Por Leidemar Oliveira (DETRAN)

O Departamento de Trânsito do Estado (Detran) inicia nesta quarta-feira (11) a Operação Carnaval 2026, mobilizando cerca de 250 agentes de fiscalização em mais de 20 municípios, que recebem grande fluxo de pessoas nesta época do ano. O controle do fluxo e o combate a infrações que mais causam sinistros estarão no centro do trabalho operacional do órgão.

Atenção redobrada dos agentes quanto às normas de segurança nas vias
Atenção redobrada dos agentes quanto às normas de segurança nas vias
Foto: Ascom/Detran

O Detran espera um aumento significativo na circulação de veículos em cidades que vão receber atrações nacionais, a exemplo de Vigia de Nazaré e Cametá, além da Ilha de Mosqueiro, distrito de Belém. Nas PAs (rodovias estaduais) haverá reforço do efetivo nos pontos de acesso a essas localidades, com abordagens e verificação de documentos e condições do veículo.

Ivan Feitosa: Lei Seca ocorrerá durante todo o Carnaval
Ivan Feitosa: Lei Seca ocorrerá durante todo o Carnaval
Foto: Ascom/Detran

“Já temos equipes atuando na BR-316, e a nossa ação terá reforço na rodovia a partir desta quarta-feira (11), se intensificando na sexta-feira (13), antes mesmo da chegada ao município, para garantir que essa entrada seja segura e dentro das normas de trânsito”, informa o coordenador de Operações e Fiscalização do Detran, Ivan Feitosa.

O Detran orienta aos condutores que verifiquem as condições mecânicas e de segurança do veículo antes da viagem, incluindo pneus, faróis e equipamentos de sinalização de emergência. Também devem observar se o licenciamento está em dia e a CNH dentro da validade, para evitar transtornos com a fiscalização.

Foto: Ascom/Detran

Riscos - Ivan Feitosa atenta para a necessidade de não dirigir sem o devido descanso, pois o sono reduz a atenção do condutor. Outra preocupação do Detran é com a alcoolemia, já que durante o Carnaval aumenta o consumo de bebida alcoólica. “O Detran fará a Operação Lei Seca, com uso do etilômetro, em todo o período carnavalesco. Lembramos que a tolerância é zero, e que a orientação é não beber. Mas, em caso de consumo de bebida alcoólica, escolher sempre o motorista da rodada, para que o folião possa curtir a festa com alegria, mas, acima de tudo, em segurança”, frisou o coordenador.

O órgão também destaca a preocupação com a segurança dos moradores locais, já que há registros, em carnavais passados, em que a vítima era morador de comunidades localizadas no entorno das rodovias estaduais. “São pessoas acostumadas com o sossego do local, e que nem sempre sabem lidar com uma mudança brusca na movimentação de veículos, Pedimos atenção redobrada dos foliões que vão se deslocar de carro ou motocicleta, para que atentem com o trânsito desses moradores, obedecendo à prioridade na travessia do pedestre, aos limites de velocidade e sinalização de cada via”, destacou Ivan Feitosa.

Melhores horários de saída e retorno - Segundo o planejamento operacional do Detran para o Carnaval, o maior fluxo de saída da Região Metropolitana de Belém ocorrerá na sexta-feira (13) e no sábado (14), a partir de 8h30, quando a rodovia passa a registrar maior lentidão, situação que tende a se estender ao longo do dia. A orientação é deixar Belém antes desse horário ou após às 20h. O Detran lembra que os condutores podem utilizar as avenidas João Paulo II e Independência como vias alternativas.

Foto: Ascom/Detran

Já o retorno à capital deve apresentar maior intensidade na terça-feira de Carnaval (17), entre 13h e 14h, seguindo até o início da noite, e na quarta-feira de Cinzas, nas primeiras horas da manhã. Com base nesse cenário, o Detran orienta que os condutores planejem a viagem, evitando os horários de pico sempre que possível, especialmente no período da tarde, quando a chuva é mais frequente, o que contribui para aumentar a lentidão na BR-316. A chuva compromete a visibilidade e torna a pista mais escorregadia, levando à necessidade de redução da velocidade e atenção constante, principalmente durante a noite.

Texto: Leidemar Oliveira e Luís Gustavo Azevedo - Ascom/Detran

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

VESTIBULAR


Mais de 100 calouros indígenas são aprovados em processos seletivos especiais no Pará

Com ações afirmativas, Uepa e UFPA garantem o ingresso de estudantes indígenas no ensino superior

Por Eva Pires (SEPI)

Indígenas Tembé comemorando aprovação no PSE-IQ 2026
Indígenas Tembé comemorando aprovação no PSE-IQ 2026
Foto: Acervo pessoal Letícia Tembé

O ingresso de estudantes indígenas no ensino superior público no Pará ganha força em 2026 com a aprovação de mais de uma centena de calouros por meio de processos seletivos específicos nas duas maiores universidades do Estado. As iniciativas ampliam o acesso, reconhecem trajetórias marcadas por desigualdades históricas e fortalecem a presença indígena na universidade sem abrir mão da identidade, da cultura e dos territórios de origem.

Na Universidade Federal do Pará (UFPA), o listão do Processo Seletivo Especial Indígena 2026 foi divulgado em 19 de janeiro, com o preenchimento de 96 vagas destinadas exclusivamente a candidatos indígenas. O processo é voltado a estudantes que ainda não iniciaram um curso de graduação e que se encontram em situação de vulnerabilidade étnico-racial. Em 2026, a UFPA ofertou 760 vagas no total, divididas igualmente entre indígenas e quilombolas, com 2.297 inscritos. Entre os cursos mais disputados pelos candidatos indígenas estão Medicina, nos campi de Altamira e Belém, Enfermagem, Educação Física, Administração, Odontologia, Fisioterapia, Direito, Biomedicina e Agronomia, áreas estratégicas para a atuação profissional e o retorno às comunidades.

Na Universidade do Estado do Pará (Uepa), o Processo Seletivo Específico para Candidatos Indígenas e Quilombolas também ampliou o acesso em 2026. Ao todo, dez estudantes indígenas foram aprovados, com destaque para as três maiores notas, que garantiram vagas no curso de Medicina nos municípios de Santarém, Marabá e Belém. A Uepa ofertou 208 vagas no processo, sendo uma vaga para indígenas e uma para quilombolas em cada um dos 104 cursos disponíveis, distribuídos entre a capital e outros 18 municípios paraenses.

Para o diretor da Associação dos Povos Indígenas Estudantes da UFPA, Joxanti Gavião, o processo tem um significado político. “Esse processo seletivo reconhece que nossos povos têm direito à universidade sem abrir mão de quem somos. Estar aqui é ocupar um espaço que historicamente nos foi negado”, declarou.

Confira a lista completa da UFPA e da Uepa

Sonhos e pertencimento

Caloura Jully Brígida Tembé da Câmara
Caloura Jully Brígida Tembé da Câmara
Foto: Acervo pessoal

Entre os novos estudantes indígenas aprovados pela UFPA, a caloura Jully Brígida Tembé da Câmara, da Aldeia Sussuarana, ingressou no curso de Licenciatura em Letras – Língua Portuguesa. Para ela, a aprovação representa mais do que uma conquista individual. “Essa conquista significa muito pra mim, é o resultado de um ano inteiro estudando para conseguir ingressar na federal como estudante”, contou.

Ao ouvir o nome no listão, Jully descreve uma mistura de sentimentos. “Foi uma felicidade absurda e, ao mesmo tempo, uma sensação de dever cumprido, porque pude realizar o meu sonho e o sonho do meu avô”, disse. Seu objetivo é retornar à comunidade como professora. “Uma das minhas prioridades é voltar para minha comunidade, porque acredito que a educação de dentro é muito precária e há uma grande necessidade de ensino.”

O estudante Wyrahu Ribeiro Tembé, de 21 anos, da Aldeia Pirá, na Terra Indígena Alto Rio Guamá, ingressou no curso de Ciências Biológicas. Para ele, a universidade é uma ferramenta de transformação coletiva. “Significa que posso mudar o ensino da minha comunidade e proporcionar um ensino voltado à cultura”, destacou. Wyrahu também vê sua presença no ensino superior como uma forma de enfrentar estereótipos. 

Tainar Kaihhê, de 20 anos
Tainar Kaihhê, de 20 anos
Foto: Acervo pessoal

Já a estudante Tainar Kaihhê, de 20 anos, aprovada no curso de Medicina, é da Aldeia Velha Pac-ré, na Terra Indígena Kanela, no Maranhão. Primeira mulher indígena de seu território a ingressar no ensino superior na área da saúde, ela define a aprovação como um marco coletivo. “Significa luta e resistência. Para mim e para o meu território foi uma conquista muito grande e histórica”, afirmou. 

Sobre o momento do resultado, relembra a emoção. “Meu coração começou a acelerar, liguei na mesma hora para minha mãe e quase chorei de felicidade. Foi uma sensação de vitória e de mostrar que nós, mulheres indígenas, conseguimos sim ocupar espaços como esse.” O sonho, segundo ela, é retornar à aldeia como médica. “Quero me especializar em pediatria e ser exemplo para as crianças da minha comunidade, para que eu não seja a primeira e a última, mas sim, a primeira de muitas”, concluiu. 

A entrada desses estudantes reafirma o papel das universidades públicas na promoção da equidade e no fortalecimento da diversidade étnica no ensino superior. Mais do que números, as aprovações representam projetos de vida, sonhos coletivos e a perspectiva de que o conhecimento acadêmico dialogue com os saberes tradicionais, retornando aos territórios como ferramenta de transformação social, cuidado e desenvolvimento.