terça-feira, 26 de maio de 2026

Justiça acata pedido do MPF e determina medidas urgentes para pontes em Marabá (PA)


Decisão impõe restrição de tráfego de veículos pesados, apresentação de cronograma de obras e reforço na fiscalização

Ponte de asfalto com ciclovia, carros ao fundo, postes de luz e muretas pintadas de verde e amarelo sob céu nublado


Foto: MPF


A Justiça Federal acolheu pedidos urgentes apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF) para reduzir os graves riscos estruturais nas pontes sobre o Rio Itacaiúnas, localizadas na Rodovia BR-230 (Transamazônica), em Marabá, no sudeste do Pará. A ação civil pública foi ajuizada pelo MPF em 22 de abril, após vistorias e laudos técnicos apontarem afundamento da pista, rachaduras na malha asfáltica e fissuras profundas nas estacas de fundação.

A decisão obriga a União e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) a implementarem, de imediato, um rigoroso controle de tráfego, garantirem a transparência das ações e apresentarem um plano definitivo para a resolução do problema.

Na decisão, a Justiça Federal reconheceu o perigo gerado pela demora na solução do abalo estrutural e a ineficácia das medidas paliativas adotadas até então, que vinham submetendo a população a riscos e a longos congestionamentos diários.

A Justiça destacou, ainda, a morosidade e a falta de transparência do Dnit, que estimou informalmente um prazo de 51 meses (mais de quatro anos) para a demolição e reconstrução das pontes, sem apresentar comprovação formal do cronograma ou da destinação orçamentária.

Restrição de tráfego e fiscalização – Para preservar as estruturas já fragilizadas e garantir a fluidez do trânsito local, a Justiça acatou o pedido do MPF e determinou a restrição temporal e parcial do tráfego de veículos de alta capacidade de carga (aqueles compostos por unidade tratora e unidade de carga acoplada, como reboque ou semirreboque, e combinações de veículos de carga), independentemente de estarem carregados ou vazios.

A proibição de circulação desses veículos no trecho urbano de acesso às pontes ocorrerá de segunda a sexta-feira, das 7h às 20h, e aos sábados, das 7h às 14h. Domingos e feriados terão trânsito liberado.

O Dnit tem 15 dias para instalar a sinalização adequada sobre a restrição. Após esse prazo, haverá um período de 15 dias para orientação educativa dos motoristas e, em seguida, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) iniciará a fiscalização integral e punitiva, inclusive com a instalação de câmeras e sensores no local.

A União, por meio da PRF, deverá assegurar a presença regular de agentes nos horários de maior fluxo. Além disso, o Dnit e a PRF estão terminantemente proibidos de autorizar a realização de manifestações ou eventos de qualquer natureza sobre as pontes ou nas vias de acesso, sob pena de multa de R$ 200 mil por autorização emitida, a fim de evitar sobrecarga de peso estático e novos bloqueios no trânsito.

Cronograma e transparência – A decisão estipula que o Dnit apresente, no prazo máximo de 30 dias, um cronograma objetivo para a implementação da solução estrutural definitiva (seja recuperação ou demolição com reconstrução). O documento deverá conter as etapas, os prazos, a indicação dos fundamentos técnicos da decisão e as fontes de financiamento necessárias.

O Dnit também foi obrigado a comprovar, em 15 dias, a existência de processo licitatório em fase de homologação para a aquisição e a instalação de um novo pórtico físico de controle de altura e acesso, em substituição ao equipamento anterior que foi danificado e retirado. Além disso, a autarquia deverá garantir a disponibilidade rápida de guinchos para a retirada imediata de veículos que eventualmente quebrem sobre as pontes.

Para sanar a falta de transparência apontada pelo MPF, a decisão judicial exige que o Dnit promova ampla divulgação à população sobre as medidas adotadas e as cautelas de segurança. O órgão também deverá apresentar diretamente ao MPF, a cada 15 dias, boletins de monitoramento estrutural, com informações atualizadas sobre a evolução das rachaduras e a movimentação da estrutura.

Multas e andamento do processo – Em caso de descumprimento de qualquer uma das medidas estipuladas (com exceção da multa específica sobre liberação de eventos), o Dnit e a União estarão sujeitos ao pagamento de multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 100 mil para cada ente, valores que serão revertidos à prefeitura de Marabá para aplicação em melhorias no trânsito e ações sociais nas áreas adjacentes à rodovia.

A decisão tem caráter liminar (urgente). O mérito do processo, no qual o MPF pede a condenação definitiva dos réus à execução das obras e ao pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 1 milhão, ainda será julgado.


Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação

sexta-feira, 22 de maio de 2026

ESTUDOS E PESQUISAS


Bioeconomia da sociobiodiversidade movimenta mais de R$ 13 bilhões por ano no Pará, aponta estudo inédito

Relatório preliminar coordenado pela Fapespa revela o peso de cadeias como açaí, mandioca e cacau, e indica que um aumento do retorno financeiro para o Estado pode ser destravado com avanços contra a informalidade e gargalos na industrialização

Por Manuela Oliveira (FAPESPA)
22/05/2026 08h00
Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

A bioeconomia da sociobiodiversidade movimenta R$ 13,5 bilhões por ano em Valor Bruto da Produção (VBP) no Pará, segundo Relatório Técnico Preliminar coordenado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), em parceria com universidades federais. Baseado em metodologias da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo identificou o protagonismo de cadeias como mandioca (R$ 6,5 bilhões), pesca e aquicultura (R$ 2,7 bilhões), cacau (R$ 1,7 bilhão) e açaí (R$ 1,5 bilhão).

Embora o VBP total da agropecuária (R$ 30 bilhões) e da mineração (R$ 140 bilhões) seja maior, os pesquisadores destacam a relevância social do setor, que ocupou 271.410 pessoas e gerou R$ 1,4 bilhão em massa salarial. Além disso, cada real investido na atividade gera R$ 1,13 no PIB estadual, com o efeito multiplicador crescendo ao longo da cadeia: R$ 1,14 na matéria-prima, R$ 1,27 na indústria e R$ 1,40 na comercialização.

Presid. da Fapespa, Marcel Botelho: ″A Rede de Bioeconomia é uma articulação para um novo paradigma de desenvolvimento″.
Presid. da Fapespa, Marcel Botelho: ″A Rede de Bioeconomia é uma articulação para um novo paradigma de desenvolvimento″.
Foto: Divulgação

"A Rede de Bioeconomia é resultado de uma articulação que transcende a formação de um consórcio de pesquisa, representando uma resposta estruturada à necessidade premente de construir um novo paradigma de desenvolvimento para a Amazônia, fundamentado em dados robustos e cientificamente validados", destaca o presidente da Fapespa, professor Marcel Botelho.

Extrativismo e o caso do cumaru

A pesquisa, realizada em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), revelou que a produção de cumaru no Pará está subnotificada. Enquanto os dados oficiais do IBGE registraram 148 toneladas (R$ 13,3 milhões), o levantamento da Rede - focado nos compradores e beneficiadores concentrados - identificou 267 toneladas efetivas, movimentando R$ 24,4 milhões.

A Rede de Bioeconomia foi criada em 2024, também, como estratégia voltada à mensuração da bioeconomia no Pará
A Rede de Bioeconomia foi criada em 2024, também, como estratégia voltada à mensuração da bioeconomia no Pará
Foto: Divulgação

O estudo detalha que o Cumaru ganha 330% de valor ao ser industrializado, mas esse processo ocorre fora do Pará. Na etapa inicial, o coletor retém 69,9% do valor adicionado. Já no ciclo industrial, a indústria captura 73,9% do valor gerado, reduzindo a participação do extrativista para 23,3%.

"Os dados de produção do Cumaru estão subestimados, os negócios estão voltados majoritariamente para a exportação e há muitas possibilidades de inovação local para agregar valor ao longo da cadeia", ressaltou o prof. Dr. Luiz Gonzaga Feijão da Silva, da Ufopa, no I Encontro da Cadeia Produtiva do Cumaru no Oeste do Pará (ECOCumaru), realizado em Santarém.

Dir. de Estatística e de Tecnologia da Fapespa, Atyliana Dias: ″Setor já existe, gera bilhões e sustenta milhares de famílias″, diz ela
Dir. de Estatística e de Tecnologia da Fapespa, Atyliana Dias: ″Setor já existe, gera bilhões e sustenta milhares de famílias″, diz ela
Foto: Divulgação

Desafios estruturais e alerta climático

A elevada informalidade é um dos principais entraves econômicos. Na cadeia da mandioca, por exemplo, mais de 99% da atividade ocorre fora dos registros fiscais devido à produção concentrada em estruturas comunitárias e informais. Outro desafio é a distribuição desigual de renda: na cadeia da castanha-do-pará, os coletores retêm apenas 2,9% do valor final do produto. Em contrapartida, nas cadeias de andiroba e copaíba, onde há associações organizadas, as comunidades retêm entre 19% e 31% do valor.

Foto: Jamille Leão / Ascom Semas

Somam-se a isso as ameaças da emergência climática. Pesquisas de campo em municípios como Marabá, Rondon do Pará, Santarém e Oriximiná apontam perdas severas na produção de castanha, mandioca e açaí devido a secas e queimadas, impactando a segurança alimentar local.

"Assim, a Fapespa atende à demanda da sociedade por informações que fomentem a tomada de decisão por parte dos agentes formuladores de políticas públicas, agentes econômicos e demais entidades responsáveis por estudos e análises setoriais, que são protagonistas e essenciais para o planejamento e a avaliação de políticas regionais e municipais", completa Marcel Botelho.

Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

Oportunidades e governança

O fortalecimento de cooperativas surge como o principal caminho para reter valor no estado. O Pará conta com um ecossistema de políticas públicas estruturado para apoiar a transição, liderado pela Política Estadual sobre Mudanças Climáticas (PEMC/PA), operacionalizado pelo Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA) e detalhado pelo Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio).

"Isso quer dizer que para os pesquisadores, o futuro da bioeconomia no Pará depende menos de expandir a extração e mais de redistribuir valor, fortalecer a organização social e proteger os territórios diante da crise climática. O setor já existe, gera bilhões e sustenta milhares de famílias. O desafio agora é transformá-lo em um forte vetor de desenvolvimento sustentável e equitativo para a Amazônia", observa a diretora de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação da Fapespa, Atyliana Dias.

Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

Próximos passos

A Rede prepara para novembro o Relatório Preliminar de 2026, que trará novas frentes analíticas: o consumo intermediário da bioeconomia (insumos e matriz tecnológica), o detalhamento da demanda (consumo das famílias, empresas e compras governamentais), a integração dos fluxos do cacau e da mandioca, e a criação de um Índice de Resiliência Socioambiental municipal.

“Esse estudo, coordenado pela Fapespa, é de extrema relevância para mostrar que, mais do que uma promessa, a socioeconomia é uma realidade em nosso Estado. Graças aos esforços do governo do Estado do Pará, desde o nosso governador Helder até a nossa governadora Hana, tem trazido cada vez mais a integração do conhecimento tradicional às novas realidades científicas e a integração com inovação capaz de alavancar ainda mais os produtos da socioeconomia, ganhando cada vez mais escala, cada vez mais mercado, credibilidade e fazendo com que a renda gerada através desses produtos reverta-se em qualidade de vida para nossa população”, finaliza o presidente da Fapespa.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

SEGURANÇA


Polícia Civil deflagra 6ª fase da ‘Ponto Crítico’ e cumpre mandados judiciais em todo o Pará

Mais de 190 pessoas foram presas na ação na Região Metropolitana e interior. Houve a apreensão de drogas, armas, munições, celulares e outros objetos.

Por Jeniffer Terra (PC)
21/05/2026 11h11
Foto: Jeniffer Terra - Ascom PC

A Polícia Civil do Pará deflagrou, na manhã desta quinta-feira (21), a 6ª fase da operação ‘Ponto Crítico’ para dar cumprimento a mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão em 106 cidades do Pará. 

Desta vez, a ação policial aconteceu tanto na Região Metropolitana de Belém quanto no interior do Estado, resultando em mais de 190 prisões e na apreensão de 20 armas, 534 munições, vasta quantidade de substâncias entorpecentes e outros objetos, até o momento. Policiais civis de todas as diretorias da instituição foram empenhados para que os alvos fossem devidamente identificados e localizados. 

Foto: Jeniffer Terra - Ascom PC

“Mais de 640 policiais da Polícia Civil do Pará foram designados para atuar na operação que aconteceu 106 cidades de todas as regiões do Estado, mostrando a integração da instituição e o trabalho de inteligência desenvolvido para localizar o alvos que estavam com mandados de prisão em aberto por diversos crimes, como homicídio, tráfico de drogas, roubo, associação criminosa, estupro, não pagamento de pensão alimentícia, violência doméstica e outros crimes”, ressaltou o delegado-geral da PCPA, Raimundo Benassuly.

Alguns dos alvos foram capturados nestas terça e quarta-feiras, mas o “dia D” da operação  foi hoje, quando os outros investigados foram encontrados e conduzidos pelos policiais para as delegacias dos respectivos municípios onde foram localizados.

Foto: Jeniffer Terra - Ascom PC

“A operação ‘Ponto Crítico’ foi pensada há alguns meses, quando o levantamento de informações por parte das equipes iniciou. Nós precisamos capturar alguns alvos antes da deflagração da operação para não correr o risco deles se evadirem. Esta é mais uma operação exitosa da PCPA, que contou com a participação de policiais de todas as diretorias operacionais e do setor de inteligência para viabilizar a precisão do endereço onde eles estavam escondidos”, destacou o delegado-geral adjunto, Temmer Khayat.

Foto: Jeniffer Terra - Ascom PC

A Polícia Civil do Pará vem desenvolvendo um trabalho constante no combate ao crime e às organizações criminosas, fruto de um esforço contínuo de investigação realizado pelas Delegacias de Polícia Civil em todo o Estado do Pará.

Foto: Jeniffer Terra - Ascom PC

“A operação segue em andamento em todo o território estadual para que sejam cumpridos o maior número de mandados judiciais, demonstrando, mais uma vez, a presença do estado e o forte trabalho realizado pelas forças de segurança que vem garantindo a repressão dos crimes e a desarticulação de grupos criminosos que tentam se manter com essas práticas no Pará”, finalizou o delegado-geral da PCPA.

Todos os presos foram conduzidos para as unidades policiais, onde foram adotados os procedimentos legais cabíveis e serão colocados à disposição da Justiça.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

OPERAÇÃO SINAL FALSO II


PC cumpre 11 mandados contra investigados por transferências ilegais de veículos

Os suspeitos foram localizados nos Estados do Pará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, durante a operação 'Sinal Falso' nesta quarta-feira (20)

Por Jeniffer Terra (PC)
20/05/2026 08h13
Agentes da PC conduzem suspeitos para apresentação à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO)
Agentes da PC conduzem suspeitos para apresentação à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO)
Foto: Jeniffer Terra - Ascom PC

A Polícia Civil do Pará deflagrou a segunda fase da operação “Sinal Falso”, na manhã desta quarta-feira (20). No decorrer das diligências, onze pessoas foram presas em cumprimento a mandados de prisão preventiva, além de busca e apreensão em 13 endereços ligados aos alvos, nas cidades de Belém, Ananindeua, Marituba, Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Cachoeirinha (RS) e Foz do Iguaçu (PR).

A investigação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores (DRFRVA), vinculada à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), e contou com o apoio operacional de unidades da Divisão de Homicídios (DH), Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE) e da Divisão Estadual de Narcóticos (DENARC), todas vinculadas à Diretoria de Polícia Especializada (DPE), além do apoio das Polícias Civis dos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. 

Foto: Jeniffer Terra - Ascom PC

“A segunda fase da operação ‘Sinal Falso’ visa a combater o núcleo intelectual da organização criminosa que realizava vistorias e transferências ilegais de veículos mediante o pagamento de propina. A partir da análise das provas colhidas na primeira fase, foi possível perceber que as transferências ilegais dos automóveis eram feitas a pedido de uma parte do grupo que se situava na região Sul do país, com foco nos estados do Paraná e Santa Catarina”, explicou o delegado Augusto Potiguar, titular da DRCO.

O grupo criminoso realizava a lavagem do dinheiro através de um integrante que reside em Porto Alegre. “Um dos indivíduos, tido como chefe do grupo, buscava veículos roubados ou de propriedade de terceiros e os legalizava, mediante corrupção de servidores do Detran/PA, com objetivo de realizar o financiamento com garantia ou enviá-los a Ciudad del Este, no Paraguai. Três agentes públicos foram presos na primeira fase da operação. Eles realizavam a execução de processos administrativos fraudulentos mediante propina semanal”, contou o delegado Linconl Vruck, titular da DRFRVA. 


domingo, 10 de maio de 2026

Estudante de Direito denuncia:

 

 perseguição, ameaças e ofensas de professor

Uma estudante, do curso Direito de uma Faculdade, em Marabá, no sudeste do Pará, denunciou à Polícia Civil ter sido vítima de perseguição, intimidação psicológica, ameaças e ofensas misóginas praticadas por um homem identificado como (KCD), professor da instituição. O caso foi registrado no dia 4 de maio de 2026. Segundo o depoimento prestado pela universitária, os primeiros contatos entre os dois ocorreram em dezembro de 2025, durante a aplicação de uma prova de segunda chamada. Embora não fosse professor da disciplina, (KCD),  teria sido responsável pela aplicação do exame. Após a ocasião, ele passou a manter contato com a estudante pelas redes sociais. A jovem afirmou que recusou qualquer envolvimento pessoal ao informar que já mantinha um relacionamento amoroso. A partir disso, segundo ela, o comportamento do suspeito mudou. A estudante relata que passou a perceber atitudes consideradas intimidatórias dentro da instituição, como olhares insistentes e abordagens desconfortáveis nos corredores e escadas da faculdade. O episódio mais grave teria ocorrido no dia 30 de abril, durante a realização de um simulado. Conforme o relato, (KCD), demonstrou comportamento controlador durante a aplicação da atividade e, em determinado momento, abordou a estudante afirmando possuir informações sobre o relacionamento dela com o namorado. Ainda segundo a denúncia, ele insistiu em fazer comentários pessoais e chegou a entregar um brownie à jovem ao final da prova. No dia seguinte, a estudante afirma ter recebido áudios temporários e ligações telefônicas contendo insultos, xingamentos e comentários ofensivos. Entre as expressões citadas no boletim de ocorrência, ela relata ter sido chamada de “cachorra” e ouvido frases como “você deveria estar morta”. O suspeito também teria feito comentários difamatórios sobre a vida íntima da vítima e de seu namorado. A universitária declarou ainda que ficou abalada ao perceber que o homem possuía informações pessoais sobre seu endereço e familiares, o que aumentou a sensação de perseguição e medo. De acordo com o documento policial, a estudante informou que a coordenação da faculdade teria mencionado a existência de procedimento administrativo envolvendo o mesmo homem por condutas semelhantes relacionadas a outras alunas. A vítima afirmou que pretende encaminhar prints e gravações de áudio à polícia e solicitou medidas protetivas de urgência, além da abertura de investigação criminal. O caso deverá ser apurado pela Polícia Civil do Pará.

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Capa de sua edição online de A Gazeta do Comércio


 

REGULARIZAÇÃO


Governo do Pará garante regularização da Gleba Maguari, beneficiando 3 mil famílias

Acordo com a União encerra impasse de quase 50 anos em São Félix do Xingu

Por Governo do Pará (SECOM)
06/05/2026 17h44
Foto: Divulgação

O governo do Pará garantiu, nesta terça-feira (5), em Brasília, a aprovação da regularização fundiária da região da Gleba Maguari, em São Félix do Xingu. A medida irá beneficiar mais de 3 mil famílias e representa o fim de um problema que se estendia há quase 50 anos.

A decisão foi anunciada durante reunião na sede da Advocacia-Geral da União (AGU) entre o presidente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Bruno Kono, o Advogado-Geral da União Adjunto, Júnior Divino Fideles, representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o ex-governador do Pará, Helder Barbalho, que iniciou a articulação ainda em 2019, o deputado estadual Torrinho Torres e o deputado federal José Priante.

Resultado de um trabalho conjunto entre o governo do Estado, o governo federal e a Advocacia-Geral da União, a decisão garante segurança jurídica a quem vive no território, fortalecendo a paz no campo e o direito à propriedade para quem vive e produz no Estado.

“Estamos falando de uma conquista construída com diálogo e articulação entre o Governo do Pará, o Governo Federal e as instituições responsáveis, que permite resolver um conflito histórico e avançar na regularização fundiária da Gleba Maguari. Isso significa garantir dignidade e segurança jurídica para mais de 3 mil famílias, além de impulsionar o desenvolvimento econômico da região”, destacou a governadora Hana Ghassan.

O presidente do Iterpa, Bruno Kono, afirmou que o acordo assegura o direito à propriedade, ampliando o acesso a políticas públicas. “Com esse acordo, superamos um impasse histórico sobre a situação fundiária da Gleba Maguari e garantimos a titulação de dessas terras pelo Iterpa e pelo Incra, assegurando o direito à propriedade e ampliando o acesso a políticas públicas. Foram várias reuniões técnicas, de alto nível e chegamos a um ponto de consenso. Já fizemos um primeiro trabalho na região de levantamento das informações das famílias. Vamos aos próximos passos que são assinaturas das partes, homologação e registro em cartório, para dar sequência. É uma conquista histórica em um dos processos mais longos do STF”, disse Kono.

Foto: Divulgação

Júnior Fideles destacou os benefícios da decisão ao território. “Com essa decisão aqui hoje nós estamos resolvendo um problema de mais de 40 anos, aliás, um problema de quase 50 anos. Com esse nosso consenso, poderemos levar segurança jurídica àquele território. Essa é uma decisão que a AGU segue a partir das diretrizes dadas pelo presidente Lula”, afirmou.

O acordo será levado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para homologação e validação jurídica.